Friday, January 20, 2006

Tu és o quê?

Um amigo de um amigo interpelou-me no meio da multidão:

-Tu és o quê?
-Eu sou o... (disse-lhe o meu nome)
-Sim, mas és quê? Podes ser repórter, apoiante, membro do partido...
-Ah...isso (pausa). Olá! Eu sou o (repeti o meu nome). Não chega?...

Porque é que temos sempre que pertencer a qualquer coisa? Porque é que temos que "ser" sempre outra coisa que não simplesmente nós próprios?

Vemo-nos nas barricadas, se fôr preciso, mas jamais na sede disto ou daquilo. Podemos partilhar de ideais, não temos para isso que ter no bolso o mesmo cartão de membro.

Forjemos alianças temporárias, sempre voláteis, sempre condicionais. Que duram enquanto por acaso olhamos na mesma direcção. Que se quebram sem remorsos quando, passado o seu prazo, não mais nos alegram.

3 comments:

Redcat said...

Sejas o que fores, és bem vindo

Julius Fucik said...

Sim, és bem-vindo... Mas não é mau ser parte de algo. Não nos retira individualidade. Eu SOU membro do partido daqueles que, juntos, combatem a exploração e lutam por um país e um mundo mais justos. Junto a minha voz, a minha vontade, a minha dedicação, a minha individualidade à de outros. E juntos fazemos o mundo girar... Mas és e serás sempre sempre bem-vindo, dentro ou apenas perto. De corpo inteiro ou só com um pé... É que no fundo, és dos nossos, dos que lutam... Abraço forte, ... (também sei o nome)

OMWO said...

Obrigado :)

Partilhamos então munições e viveres, de vez em quando :)